6 de junho de 2011

100 Engenheiros Florestais formados no Acre

* Ecio Rodrigues
O próximo Engenheiro Florestal que se formar no Acre será o centésimo. Uma importante marca que representa o esforço de um número variado de profissionais e instituições que acreditaram, ainda em 2010, na criação de um curso voltado à formação de um tipo específico de profissional, para atuar com a maior riqueza acriana: sua floresta.
Ocorre que nos últimos 20 anos o Acre passou por profundas transformações. Em nenhum momento de sua história recente se investiu o atual volume de recursos financeiros para construção de infra-estrutura de apoio ao seu desenvolvimento. No entanto, é a valorização do ecossistema florestal, como indutor do processo de desenvolvimento, o que definirá o Acre do futuro.
Todavia, valorizar o ecossistema florestal, de forma a promover a geração de emprego e renda superiores àquelas advindas de atividades produtivas que dependem do desmatamento, requer muita criatividade, vontade política, clareza de propósitos e, claro, engenheiros florestais.
A boa notícia é que um longo caminho já foi percorrido para que a floresta tenha maior valor que seu desmatamento. Afinal, uma guinada sem precedentes nessa transformação produtiva foi realizada, ainda no decorrer da década de 1990, quando um conjunto de técnicos (em sua maioria engenheiros florestais) e de lideranças sindicais expressivas como Chico Mendes conceberam um novo tipo de Unidade de Conservação que chamaram de Reservas Extrativistas.
Essas áreas, que na atualidade compreendem um quantitativo expressivo de mais de 2,5 milhões de hectares, são instituídas pelo poder público, desapropriadas e entregues às comunidades de extrativistas residentes para que se apliquem ali, modelos de exploração florestal que sejam compatíveis com a capacidade de regeneração do ecossistema. Princípio elementar da tecnologia do Manejo Florestal.
Mais importante ainda é que nessas áreas a única, legalmente a única, maneira de se gerar trabalho e renda é através de atividades produtivas vinculadas à floresta. Isto é, em nenhuma hipótese, e por força da Lei, se aceitará práticas agropecuárias com fins comerciais. Não se pode comercializar a produção agrícola e pecuária, pois essas práticas são aceitas somente para subsistência.
Outra guinada expressiva para uma transformação produtiva, em direção à consolidação de uma economia florestal aconteceu com a concepção e aplicação, em escala experimental, da tecnologia do Manejo Florestal Comunitário. Novamente, uma contribuição genuinamente acriana, tendo em vista que os projetos pioneiros de manejo florestal comunitário tiveram origem no Acre.
Finalmente o acúmulo intelectual no setor florestal acriano teria um novo desafio. Com uma demanda crescente a produção comunitária de madeira foi, paulatinamente, sendo diversificada com a introdução da copaíba, do açaí, do murmuru, do cipó unha-de-gato, das sementes florestais e da fauna silvestre. Uma diversificação que exigiria dos engenheiros florestais conceber a tecnologia que abarcasse todo leque de produtos.
A essa tecnologia deu-se a denominação de Manejo Florestal de Uso Múltiplo, cujo conceito, grosso modo, pode ser esmiuçado como a possibilidade de agregar em uma unidade produtiva toda matéria-prima, produto e serviço oriundo da diversidade biológica do ecossistema florestal e que seja passível de ser manejado.
Com essa expressiva acumulação teórica em ciência florestal no Acre a demanda por profissionais com formação de nível superior é cada vez mais elevada. Uma demanda, do tamanho da biodiversidade do ecossistema florestal da Amazônia. 
O que significa que os 100 Engenheiros Florestais do Acre, sempre têm muito trabalho pela frente.

* Professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Engenheiro Florestal, Especialista em Manejo Florestal e Mestre em Economia e Política Florestal pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília (UnB).