6 de maio de 2016
Carta de Santarém
6 de junho de 2011
100 Engenheiros Florestais formados no Acre
22 de novembro de 2010
Raimundo, um Mateiro
29 de agosto de 2010
O impacto do manejo florestal sobre a fauna silvestre
Bióloga, D.Sc. Biologia de Animais Silvestres
Embrapa - Acre.
Recentemente, a Assembléia Legislativa do Estado do Acre aprovou uma matéria restringindo o corte, em escala industrial, de 24 espécies de árvores nativas, por fazerem parte da dieta de muitos animais. Apesar de ser uma iniciativa interessante, não é ainda possível estimar os efeitos dessa medida, em decorrência do reduzido número de estudos sobre o tema. Não se sabe, por exemplo, o que ocorre com a maioria dos animais quando parte de seu alimento torna-se indisponível. Eles são “obrigados” a se deslocarem para áreas maiores a fim de obtê-lo ou são capazes de compensar esta retirada, consumindo alimentos de outras fontes? Esta alteração no comportamento alimentar envolve também mudanças na reprodução? Pode haver, por exemplo, diminuição do número de filhotes por fêmea?
Apesar das dúvidas, há, certamente, outras ações que podem ser implementadas no sentido de conservar a fauna silvestre em áreas sob manejo florestal madeireiro e não-madeireiro.
Pelo fato dos animais atuarem em processos ecológicos complexos como dispersão de sementes e polinização, toda e qualquer atividade de manejo florestal deve envolver a realização de inventários a intervalos regulares. Os animais mais visados pelos caçadores, como anta, veado-capoeiro, porquinho-do-mato, queixada, entre outros, necessitam de monitoramento a longo prazo, o que pode ser realizado com emprego de técnicas simples, conduzidas pela comunidade ou pelos funcionários das indústrias. Deve-se pensar, também, na contratação de especialistas: em princípio, quanto maior o detalhamento dos estudos realizados, maior a consistência das informações geradas.
Outro fato indiscutível é a estreita associação entre uso de produtos florestais e pressão de caça. Com a valoração dos produtos florestais madeireiros e não-madeireiros, observa-se um aumento no tempo de permanência dos manejadores na floresta. Quanto maior este tempo, maiores são as oportunidades de caça e, conseqüentemente, maior a quantidade e diversidade de animais abatidos. Neste contexto, torna-se imprescindível a elaboração de planos de caça nas áreas sob manejo florestal, os quais podem tomar como base as experiências realizadas em algumas terras indígenas e em projetos de assentamento no Estado do Acre. Estas experiências, embora relativamente recentes, já registram resultados positivos, pois os caçadores passaram a reconhecer os prejuízos causados pela caça indiscriminada, em particular, aquela realizada com cachorro. Nestas áreas, os moradores locais entenderam melhor a necessidade de trabalhar em parceria com os órgãos fiscalizadores e a importância de obter proteína animal de outras fontes, como, por exemplo, de pequenos animais domésticos e de animais silvestres criados em cativeiro.
Por ser um tema tão polêmico, somente a existência de fóruns permanentes de discussão, envolvendo atores de diversos segmentos da sociedade, possibilitará a obtenção de soluções realistas, de baixo custo e sustentáveis.
Nos trabalhos realizados pela Embrapa Acre, em parceria com a Funtac, Sebrae/AC, Ufac, setor privado e comunidades locais, não foi possível estimar o impacto do manejo florestal sobre a fauna silvestre, uma vez que queimadas, caça, formação de pastagens e investimentos em infra-estrutura foram registrados nas áreas estudadas. Todavia, apesar deste ambiente hostil (do ponto de vista da fauna silvestre), foram avistadas espécies raras (como o cachorro-do-mato), com distribuição geográfica restrita (sagüi-de-bigode) ou ameaçadas de extinção (guariba, tamanduá-bandeira, tatu-canastra e onça). Um aspecto preocupante foi o reduzido número de indivíduos visualizados nestes estudos. Mesmo os pequenos roedores, descritos na literatura como animais de fácil visualização, pouco visados pelos caçadores e tolerantes às alterações do meio, foram registrados em pequeno número. Estes dados ressaltam um outro aspecto que necessita de especial atenção: enquanto não existirem informações em quantidade e qualidade suficientes para avaliar o impacto da utilização dos recursos naturais sobre a fauna silvestre, faz-se necessário o estabelecimento de grandes áreas de proteção integral, sem qualquer atividade humana... um assunto delicadíssimo, que, certamente, requer a elaboração de outro artigo.
Informações:
18 de agosto de 2010
Engenharia e arquitetura poderão ser carreiras típicas de Estado
Agência Câmara
A Câmara analisa o Projeto de Lei 7607/10, do deputado José Chaves (PTB-PE), que enquadra as atividades de engenheiros, arquitetos e agrônomos nas carreiras consideradas exclusivas de Estado. O texto altera a Lei 5.914/66, que regula o exercício dessas profissões.
Para o autor, em todas as atividades da economia nacional é insubstituível a presença desses profissionais. “A participação deles tem mudado a feição do País, ao planejar e executar as mais importantes obras de transformação das cidades, no campo da hidroeletricidade e na interiorização do progresso”, afirma.
As carreiras típicas de Estado foram previstas pela Emenda Constitucional 19, de 1998, conhecida como reforma administrativa. Nelas, estão incluídos atualmente diplomatas e servidores de carreiras jurídicas, de auditoria e de gestão governamental, entre outras. Os profissionais dessas carreiras têm direito a garantias especiais contra a perda dos seus cargos, se forem servidores públicos estáveis.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será examinado pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Íntegra da proposta:
15 de agosto de 2010
Sucessão e fazer escola
Diretor Executivo do IPEF - Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais
Revista Opiniões - Março-Maio 2010
Certa ocasião, após minha aposentadoria, fui questionado sobre a maior satisfação colhida na minha carreira de professor e pesquisador. Sem titubear, respondi que tinha sido o sentimento da contribuição deixada para o Setor Florestal Brasileiro através dos ex-orientados, hoje respeitáveis profissionais nas áreas de P&D e nas áreas operacionais e administrativas de inúmeras empresas de celulose e papel. A bem da verdade, acredito que essa sensação deve ser sentida por outros colegas e amigos, tanto no meio acadêmico como empresarial de nosso País, que passaram por essa experiência. Entendemos que o processo de formação e treinamento de pessoas pode estar ligado, de um lado, a um plano de carreira ou, de outro lado, com o fazer escola.
No primeiro caso, o plano de sucessão, nos dias de hoje, pode ser entendido como imprescindível à sobrevivência das empresas, ou seja, um planejamento estratégico de recursos humanos. Por outro lado, uma garantia de que a empresa continue inovadora e competitiva.
Alguns estudiosos do assunto afirmam que esse tipo programado de sucessão, em última análise, é uma “reinvenção da empresa”. O processo em si não é tão simples, primeiro pela diversidade de situações e tipos de empresas. As saídas mais usuais têm sido a escolha entre diferentes candidatos, indicação de um sucessor familiar ligado ou não ao sócio majoritário ou criação de um conselho de administração, no qual o líder que se afasta mantém algum tipo de controle e supervisão.
Quando a expectativa é de que a sucessão ocorra graças ao planejamento do executivo que deverá deixar o cargo, por promoção ou troca de empresa, parte das vezes ela se frustra por individualismo, receio de concorrência, falta de compromisso com o futuro ou falta de profissionalismo.
Os mais conscientes montam uma equipe que dialoga sobre as normas e procedimentos da empresa, colaboram com a sua divulgação ampla e irrestrita e compartilham todo o conhecimento gerado. Dessa maneira, a preocupação com a sucessão deve estar ligada à atividade diária do executivo e não somente quando cobrado pela alta direção da empresa. Inclusive porque se foi o tempo da percepção enganosa de que se é insubstituível.
Da mesma forma, é importante não se prender a um único possível sucessor (mais tempo de cargo ou conhecimento técnico), pois os fatores ligados à liderança são fundamentais. Como consequência, o grande segredo é dar espaço a todos os eventuais candidatos, pois, do embate interpares, é possível avaliá-los em diferentes situações além do dia a dia de cada um. O fazer escola tem um sentido mais amplo que a sucessão anteriormente exposta.
Seu aporte é mais filosófico, chegando a questionar e a alterar, construtivamente, a visão e mesmo a missão de dada empresa ou entidade. Filosófica porque traz novas maneiras de encarar desafios e ampliar horizontes. Obviamente, essa situação se aplica ao setor empresarial, porém, com mais frequência, ocorre no meio acadêmico e de P&D. Nessas condições, são maiores as oportunidades para o exercício da criatividade e da liderança situacional.
Obviamente também, o ambiente de trabalho é mais informal, e a hierarquia é respeitada não como uma obrigação, sobrevivência ou segundo as normas vigentes, mas como respeito e reconhecimento.
O sentido de equipe tem que ser despertado e constantemente realimentado, dada a natural rotatividade que ocorre. Um ponto a não ser perdido de vista é que essa ação, na maioria das vezes, ocorre envolvendo voluntários, como estagiários, bolsistas e similares. Apesar de possível retribuição financeira, não há um esquema rígido de trabalho, e a carga horária é compartilhada com outras atividades, talvez mais prioritárias, como escolares.
Dessa maneira, a maior ou menor dedicação será resultado da motivação para o trabalho no presente e relacionadas perspectivas profissionais para o futuro. Numa situação especial como essa, minha experiência acadêmica e pessoal permite a conclusão de que o sucesso do trabalho em equipe como garantia do “fazer escola” e formar sucessores se baseia em três palavras: fé, dedicação e entusiasmo. Fé: confunde-se com crença, esperança, desejo, ideal, sonho e outros sentimentos inerentes ao ser humano.
Dedicação: confunde-se com determinação, esforço, garra e outros sentimentos não tão difundidos nos dias atuais. Entusiasmo: confunde-se com vibração, euforia, júbilo, ardor, paixão e outros sentimentos inatos a muitos ou adquiridos, mercê de uma decisão ou propósito pessoal.
12 de agosto de 2010
10 anos de Engenharia Florestal no Acre, 50 no Brasil
Dia 12 de julho próximo os Engenheiros Florestais comemoram seu dia. Um dia especial, em um ano igualmente especial, quando o primeiro curso de Engenharia Florestal do país iniciava suas atividades há 50 anos, em 1960. Um ano mais especial ainda para os acreanos que há 10 anos iniciavam a formação de sua primeira turma de Engenheiros Florestais na UFAC.
Motivos para comemorar não faltam. Afinal, os silvicultores brasileiros são reconhecidos mundo afora por sua excelência na condução de povoamentos florestais, sobretudo aqueles destinados à produção de papel e celulose. Os Engenheiros Florestais contribuíram de forma sensível, para que o Brasil se tornasse o quinto maior produtor de madeira de florestas plantadas do mundo.
Aproveitando as condições climáticas favoráveis, existentes em quase todo território nacional, os Engenheiros Florestais ajudaram a desenvolver variedades e clones de espécies como eucaliptus e pinus, com índices de produtividade superiores à média internacional.
Na Amazônia não foi diferente. Após o apoio da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, que ainda na década de 1950 trouxe para região um primeiro grupo de Engenheiros Florestais, alemães e americanos, uma ciência florestal para o ecossistema amazônico vem sendo estruturada em bases sólidas.
Os Engenheiros Florestais amazônidas talvez sejam os únicos dentre todos os outros países amazônicos, a conceber e colocar em prática o que se chamou de Sistema Silvicultural para Amazônia, o que tornou viável, do ponto de vista ecológico, técnico e econômico, a exploração de madeira tropical dura, na várzea e em terra firme, sob a tecnologia do Manejo Florestal.
Os Engenheiros Florestais que atuam na Amazônia sabem como fazer para derrubar uma árvore, arrastar, transportar, serrar e secar a madeira que vai atender a demanda da sociedade por carteiras escolares e móveis domésticos, por exemplo.
Para se chegar nesse nível de tecnologia, na produção de madeira de elevada qualidade foi preciso muito estudo e muita criatividade desses profissionais, que, por sinal, estão mais que acostumados a desafios. São profissionais que atuam com a exploração de florestas amazônicas, tema que toda pessoa, sem exceção e independente da formação, gosta de discutir.
Mas, é bem provável que tenha sido do pequeno e singular Acre que surgiram as novidades tecnológicas mais recentes e mais importantes para renovação da ciência florestal na Amazônia.
A contribuição efetiva dos profissionais da Engenharia Florestal que atuam no Acre surgiu para solução de dois problemas cruciais. O primeiro relacionado à obtenção e estruturação de áreas florestais destinadas ao extrativismo florestal. A concepção das, atualmente reconhecidas em todo país, Reservas Extrativistas contou a participação essencial de um grupo de Engenheiros Florestais acreanos.
Se a criação de Reservas Extrativistas requereu esforço de política florestal, o segundo problema iria requerer maior empenho técnico no campo do manejo florestal. Tratava-se então de desenvolver um conjunto de procedimentos, para fazer com que o extrativismo se elevasse, do ponto de vista técnico, ao manejo florestal.
Com a tecnologia do Manejo Florestal Comunitário para produção de madeira os extrativistas se transformaram em, no que eles mesmos chamam, Manejadores Florestais.
A partir daí se chegou à inovação tecnológica do Manejo Florestal de Uso Múltiplo, um passo definitivo para a ciência florestal amazônica, pois permitirá a oferta de mais de 40 produtos de uma mesma colocação, incluindo os serviços ambientais de seqüestro de carbono e produção de água.
Finalmente, parece que, mais que solucionar problemas relacionados à produção florestal amazônica, os Engenheiros Florestais acreanos estão escrevendo uma nova história. O futuro dirá.
* Professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Engenheiro Florestal, Especialista em Manejo Florestal e Mestre em Economia e Política Florestal pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília (UnB)."